Como este blog também pretende ser sério porque não começar pelo tema da actualidade?
Corria o ano de 2009 quando entrei na faculdade. Não conhecia absolutamente ninguém (apesar de ser em Lisboa e eu morar relativamente perto) e nem sabia o que ia encontrar, apenas sabia que seria inevitável ser praxada. Quando lá cheguei entregaram-me um saco de plástico para colocar os meus pertences para não se sujarem e encaminharam-me para o jardim onde já estavam os senhores veteranos. Juntei-me a um grupo e começou a "brincadeira". De facto não foi nada de extraordinário, não nos fizeram coisas feias, mas se formos analisar a fundo percebemos que o intuito é a humilhação. Rapazes do meu grupo tiveram que comer dentes de alho, tiveram que fingir ser um touro, tiveram que se declarar a raparigas, etc... Foi nesse dia que arranjei o meu padrinho e que se manteve até ao fim da licenciatura acima de tudo como um grande amigo.
No dia seguinte fomos presenteados com uma aula fantasma, aula essa que, sendo na brincadeira e bastante exagerada, nos mostra um bocadinho como será o resto do curso... De seguida fomos para a habitual "guerra" entre faculdades e, depois, para o jardim novamente. Aí foi totalmente diferente; formamos grupos mas desta vez para fazer pequenos jogos de confiança, jogos que nos fizeram conhecer os colegas e, conforme as palavras da veterana no fim de tudo, jogos que nos prepararam para o que poderíamos encontrar no curso.
Depois desse dia não fui mais à praxe. Na minha faculdade não há muito essa tradição, mas há sempre um ou outro grupo que gosta de continuar as actividades. Eu não fui porque não queria faltar as aulas, não queria perder logo o comboio.
Entretanto já concluí o curso e só praxei uma vez, não é algo que me "seduza".
Hoje, 4 anos volvidos, tenho uma certeza: a praxe não foi aquilo. A praxe foi o curso todos, foram as horas passadas a estudar, as noites sem dormir, as crises de choro, os professores casmurros, as desilusões com as notas, as conquistas saborosas, as notas inesperadamente boas... isso sim foi a praxe, isso sim preparou-me para a vida! Não é um dia ou uma semana de brincadeiras parvas, que envolvem a grande maioria das vezes humilhação , que nos prepara para o que quer que seja. É o curso e aquilo que fazemos com ele!
O que se passou no Meco foi mais do que uma simples e inocente praxe, e tudo aponta para isso: a casa arrendada para 12 pessoas quando na verdade só lá estavam 6, os telemóveis deixados em casa, os pertences dos estudantes recolhidos por alguém que ninguém sabe quem foi e deixados na Lusófona, os "rituais" presenciados pelos habitantes da localidade, a suspeita de que estava lá mais alguém... Enfim, tudo coisas muito mal explicadas e que espero que, pela saúde dos pais daqueles que perderam a vida, sejam esclarecidas o quanto antes. Porque perder um filho deve ser horrível, mas perdê-lo nestas circunstâncias, sem se saber de nada, deve ser muito pior...
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